Celena - Blog
Blog

blog celena

Produtos e Projetos Eficientes em Iluminação

Escrito por Claudio Galante – Engenheiro Eletrônico – Pós graduado em Administração – MBA Gestão Estratégica

Os projetos de eficiência energética são considerados como um projeto técnico que exige alguma análise financeira, mas ao contrário, deveriam ser considerados como um projeto financeiro que exige alguma análise técnica.

Em nossa cultura existem determinados conceitos matemáticos que, pela sua simplicidade, tornam-se ferramentas práticas para algumas estimativas de nosso cotidiano. Um deste conceitos é a MÉDIA: Um cálculo simples e prático para quando precisamos estabelecer uma tendência intermediária de um determinado universo com diferentes números ou eventos.

Quando o conjunto de dados é significativo, a média é um resultado que exprime razoavelmente bem uma determinada realidade deste universo. Entretanto, todo profissional de exatas sabe que o cálculo da média traz algumas “armadilhas” quando o conjunto de números e eventos é muito divergente e contém extremos que influenciam no resultado. Assim, se meu saldo bancário é zero e a fortuna de Bill Gates é de 90 Bilhões de dólares, então na média, tanto eu quanto Bill Gates temos 45 Bilhões de dólares na conta, sem consideram que eu sou mais bonito que ele…

Pelas mesmas razões de simplicidade, alguns projetos de investimento são avaliados pelo conceito financeiro de PAYBACK que, resumidamente, é o tempo decorrido entre o investimento inicial e o momento no qual os dividendos deste investimento se igualam ao valor inicial. Deste modo, se eu compro uma franquia por R$ 100.000,00 e tal negócio gera um resultado líquido de R$ 10.000,00 por mês, então resulta que o payback deste investimento é de 10 meses, uma vez que, ao final deste período, eu recuperei o valor inicial do investimento. É mais ou menos como se, ao invés de uma calculadora, olhássemos nosso relógio para analisar a rentabilidade de nossos investimentos.

Neste contexto simplório de payback é que a viabilidade da maioria dos projetos de eficiência energética é analisada. Entretanto, sabemos que existem outros conceitos de análise financeira, como Retorno sobre Investimento, Valor Presente Líquido, entre outros, que são muito mais consistentes em sua concepção do que o deficiente “payback”. De fato, quanto mais complexo for o investimento a ser analisado, outras ferramentas igualmente complexas são utilizadas. Em um processo de Fusões & Aquisições, por exemplo, algumas ferramentas consistentes como Fluxo de Caixa Descontado são utilizadas junto com outras variáveis, como sinergia de integração operacional e de canais, entre outras.

Se, em um projeto de Fusões & Aquisições, o analista utilizar o mero conceito de payback para examinar a aquisição de outra empresa, ele certamente estaria assinando sua própria demissão, dado que tal conceito, pela sua deficiência, não abrange todas as variáveis que um projeto deste porte exige.

Sendo assim, porque os projetos de eficiência energética são relegados ao mais baixo e simplório conceito de análise de investimentos que conhecemos?

A resposta é simples: Os projetos de eficiência energética são erroneamente considerados como um projeto técnico que exige alguma análise financeira, e não como um projeto financeiro que exige alguma análise técnica.

Tal descuido na conceituação de um projeto de eficiência energética faz com que determinados projetos sejam erroneamente descartados ou, no caso menos pior, priorizados na ordem incorreta.

Vamos considerar o cenário abaixo, onde a organização precisa tomar a decisão se deve implementar as alternativas de projeto de eficiência apresentados pelos fornecedores e, se sim, qual seria a prioridade entre os dois projetos.

Os dois projetos são apresentados pelos fornecedores através do “cálculo financeiro” de eficiência, conforme segue:

O técnico responsável pela análise das propostas, “mata a charada” e percebe que o Projeto A é superior ao Projeto B, pois é mais barato, tem um índice de eficiência maior e o payback é menor, ou seja, incontestavelmente, a decisão é pelo Projeto A.

Ao receber os estudos de eficiência energética, o executivo experiente “cheira” que, talvez, a despeito do melhor payback, tenha mais dinheiro na mesa com o Projeto B do que com o Projeto A, e pede que seja feita uma análise financeira mais profunda de ambos os projetos, considerando outras ferramentas mais apuradas como o NPV (Valor Presente Líquido) dos projetos, bem como o impacto que ambos terão na lucratividade da organização.

A equipe, então, retorna com o seguinte estudo de viabilidade financeira:

De fato, a percepção do executivo estava correta: Considerando o conceito de Valor Presente Líquido, existe o triplo de dinheiro na mesa com o Projeto B do que com o Projeto A.

O que levou a tal resultado não foi apenas o maior montante de economia gerada pelo Projeto B, mas também a vida útil do equipamento que, por sua maior longevidade, permite que o período do cálculo financeiro seja superior ao Projeto A.

Ademais, a economia gerada pelo Projeto B trará um incremento no EBITDA de 1,5% e, em face do aumento nos dividendos, tal investimento pela organização, apesar de superior ao Projeto A, poderá ser mais rentável do que a aplicação deste mesmo valor em capital de giro, por exemplo.

Portanto, a análise de investimento em projetos de eficiência energética precisa ser mais profunda do que o simples cálculo de payback pois, desta forma, evitam-se eventuais erros de tomada de decisão provocados pela superficialidade deste conceito.

Lembre-se: um projeto de eficiência energética pode trazer à sua organização resultados de eficiência operacional muito mais significativas que outras soluções de redução de despesas e, portanto, as análises de viabilidade exigem o envolvimento dos executivos da empresa.

Pense nisso e bons negócios!

Compartilhe

Compartilhe nas mídias sociais!